quinta-feira, 30 de junho de 2016


Os Esbats
Além dos oitos Sabbats, os povos celtas celebravam também os Esbats, 
ou seja, as treze luas cheias ao longo do ano solar. A lua cheia foi 
venerada durante milênios por grupos de homens e mulheres, reunidos 
nos bosques, nas montanhas ou na beira da água, como a manifestação 
visível do princípio cósmico feminino, na forma das deusas lunares 
ou da Vovó Lua. Com o advento das religiões patriarcais, houve uma 
divisão na vida religiosa familiar. Os homens passaram a reverenciar 
os deuses – solares e guerreiros -, enquanto que as mulheres continu-
avam se reunindo para celebrar a lua cheia e honrar a Grande Mãe. 
A cristianização forçada e, principalmente, as perseguições dos "
caçadores de bruxas" durante os oito séculos de Inquisição, procuraram
 erradicar a "adoração pagã da Lua" e os Esbats foram considerados 
orgias de bruxas e manifestações do demônio.

A palavra Esbat deriva do verbo esbattre, em francês arcaico, signi
ficando "alegrar-se", pois essas celebrações não eram tão solenes 
como os Sabbats, proporcionando, além dos trabalhos mágicos, uma 
atmosfera jovial. Há também uma semelhança com a palavra "estrus" – 
o ciclo lunar de fertilidade -, reforçando a idéia da repetição 
mensal dessas comemorações.

Durante os Esbats, reverencia-se a força vital criativa, geradora 
e sustentadora do universo, manifestada como a Grande Mãe. A noite 
de lua cheia ou o plenilúnio, é o auge do poder da Deusa, sendo o 
momento adequado para rituais de cura e trabalhos mágicos. Usam-se 
altares – simples ou elaborados – com os símbolos da Deusa e acres-
centam-se os elementos específicos da lunação. Além dos rituais, há 
cantos, danças, contam-se histórias e fazem-se meditações. No final, 
comemora-se repartindo pão ou bolo e bebendo-se vinho, suco ou chá, 
brindando à Lua e ofertando um pouco à natureza em sinal de gratidão 
à Mãe Terra. O pão sempre simbolizou o alimento tirado da terra, 
enquanto que o vinho favorecia a atmosfera de alegria e descontração.

Atualmente, os plenilúnios são comemorados não somente pelos grupos 
estruturados da Wicca (os covens), neo-pagã ou xamânica, mas também 
por grupos de mulheres ou pelos "solitários". A Deusa está cada vez 
mais presente na vida e na alma das mulheres, os raios prateados da 
Lua realçando suas múltiplas faces.

Na Antiga Tradição, nas reuniões praticadas por covens ou individua-
lmente,o ponto máximo do Esbat é o ritual de "Puxar a Lua", ou seja, 
imantar uma sacerdotisa ou mulher com a energia da Deusa. O objetivo 
desse ritual é triplo: primeiro, procura-se a união com a Deusa para 
compreender melhor seus mistérios; segundo, busca-se imantar o espaço 
sagrado com a energia mágica da Deusa e, em terceiro lugar, objetiva-
se o equilíbrio dos ritmos lunares das mulheres e o aumento da ferti-
lidade, física e mental. Para atrair a energia da Lua, usa-se o punhal 
ritualístico (átame) ou um bastão consagrado, direcionando-o para um 
cálice com água. Invoca-se a Deusa e expõe-se seu pedido ou, simples-
mente, entra-se em contato com sua essência, deixando-a penetrar em 
todo seu ser. Fundir-se com a energia da Deusa é um ato de realização 
espiritual e jamais deve ser usado com fins egoístas, forjando mensagens 
ou avisos "recebidos" durante o ritual. Quando o propósito é sincero e 
o coração puro, a experiência é sublime e comovente. Após um tempo de 
interiorização e contemplação, tornam-se alguns goles da água 
"lunarizada" e despeja-se o resto sobre a terra, para "fertilizá-la". 
Como em outros rituais, os Esbats devem ser feitos após invocar-se os 
Guardiões das direções e os elementos correspondentes, criando-se o 
círculo mágico.

Além desse ritual tradicional e formal, pode-se celebrar o plenilúnio 
de forma mais complexa e criativa, usando-se os conhecimentos astro-
lógicos da polaridade Sol-Lua. Durante a lua cheia, a Lua se encontra 
no signo oposto ao do Sol, estabelecendo-se, assim, um eixo de 
complementação. Em certos grupos mistos, trabalha-se a polaridade 
Sol-Lua reverenciando-se o casal divino, representado por deuses 
solares e deusas lunares, escolhidos conforme as características 
astrológicas e espirituais do mês

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